Você conhece a especialidade cirurgia de cabeça e pescoço?

 

A cirurgia de cabeça e pescoço é a especialidade médica que trata os tumores, malignos ou benignos, da região da cabeça e pescoço. É uma área relativamente nova no Brasil e ainda não possui muitos especialistas formados.

Várias faculdades de Medicina ainda não possuem uma cadeira sobre CCP devido à falta de professores nessa área, por isso não é raro ter médicos que não sabem sobre as doenças dessa especialidade, o que gera um problema grave para os pacientes:

  • Os pacientes não são encaminhados diretamente para o cirurgião de cabeça e pescoço, perdendo tempo importante para o tratamento – como nos casos de câncer de boca que são encaminhados para os odontólogos.
  • Os pacientes são erroneamente encaminhados com urgência – como nos casos de nódulos na tireóide de baixa suspeita, que na maioria das vezes são benignos mas o desconhecimento faz com que o colega médico alarme o paciente sem necessidade.

Como cirurgião de cabeça e pescoço, trato as doenças cirúrgicas da tireóide. Acompanho, avalio e opero nódulos tireoidianos – faço a tireoidectomia – cirurgia para retirar a tireóide, parcial ou total. Câncer de tireóide é a doença cirúrgica mais importante. Além da tireoidectomia, também realizo o esvaziamento cervical – cirurgia pra retirada dos linfonodos, útil no tratamento do câncer avançado.

Também indico a radioiodoterapia após a cirurgia e acompanho os pacientes tratados de câncer de tireóide para o resto da vida. Em alguns casos, realizo o tratamento cirúrgico do hipertireoidismo.

 

Cirurgias:

  • Tireoidectomia parcial
  • Tireoidectomia total
  • Tireoidectomia total com esvaziamento
  • Esvaziamento cervical recorrencial
  • Esvaziamento cervical radical modificado (II- V)
  • Experiência com monitorização intraoperatória de nervo laringeo recorrente e com Bisturi harmônico

O câncer de pele pode acometer o corpo todo, mas 80% dos casos acometem a face e o pescoço por estar mais exposto ao sol. Como o tratamento com a maior chance de cura é a cirurgia, consigo curar mais de 95% dos casos com apenas um procedimento. Além da retirada da lesão com margens, também realizo a reconstrução com retalhos no mesmo tempo cirúrgico. Devido o clima do Ceará, atendo e opero muitos casos de câncer de pele. É mais comum em idosos que pegaram bastante sol durante toda a vida – agricultores, pescadores… Na maioria dos casos, a cirurgia é simples, com anestesia local. O tipo mais comum é o CBC – carcinoma basocelular, seguido do CEC – carcinoma espinocelular e melanoma.

 

Cirurgias:

  • Experiência em lesões de nariz, lábio, orelha, pálpebras, face, têmpora
  • Biópsia incisional
  • Ressecção de lesão inicial e fechamento primário
  • Ressecção de lesão e reconstrução com retalho local ou enxerto
  • Reconstrução com retalho miocutâneo – músculo platisma, m. peitoral
  • Exenteração de órbita
  • Exenteração de órbita alargada
  • Rinectomia total
  • Esvaziamento cérvico-facial (radical modificado + parotidectomia)
  • Esvaziamento póstero-lateral (radical modificado + suboccipital)

O câncer de boca é o câncer mais comum da cabeça e pescoço após o câncer de pele. Acomete homens com mais de 50 anos e fumantes – o cigarro é o principal fator de risco.

 

O principal sintoma é uma ferida que não cicatriza por mais de 15 dias. Apesar de a cavidade oral ser fácil de examinar, mais de 70% dos casos chegam muito tarde, em estágio avançado. É uma doença agressiva que exige tratamento agressivo, como retirada de toda a língua, retirada da mandíbula, radioterapia e quimioterapia após a cirurgia. Mesmo casos avançados podem ter boas taxas de cura se o paciente aderir ao tratamento e parar de fumar. 60% dos casos estarão vivos em 5 anos – a minha luta é trazer o paciente para esse grupo sobrevivente. O tipo mais comum é o CEC – carcinoma espinocelular.

 

Cirurgias:

  • Biópsia incisional – lesão da língua, nódulo na bochecha, palato duro
  • Ressecção de lesão inicial e fechamento primário
  • Glossectomia parcial
  • Glossectomia total
  • Mandibulectomia marginal ou segmentar
  • Maxilectomia parcial ou total
  • Pelveglossomandibulectomia (PGM)
  • Reconstrução com retalho miocutâneo – m. peitoral
  • Esvaziamento seletivo – supraomohioide I-II-III
  • Esvaziamento cervical radical modificado
  • Esvaziamento cervical radical

O câncer de laringe é outra doença que trato. É frequente em homens idosos e fumantes. Como no câncer de boca, a maioria dos pacientes chega tarde demais – doença em estágios avançados. O principal sintoma é a rouquidão que não melhora. E o principal exame para avaliar a laringe é a laringoscopia. Dependendo do estágio o tratamento pode ser cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação de tratamentos. A cirurgia pode ser endoscópica, parcial ou total. Na laringectomia total retiro toda a caixa da voz e implanto a traqueia na pele, confeccionando um traqueostoma definitivo. Nesse caso o paciente perde totalmente a capacidade de falar, podendo reabilitar essa função através de algumas técnicas. O tipo mais comum é o CEC – carcinoma espinocelular.

 

Cirurgias:

  • Biópsia incisional
  • Microcirurgia de laringe
  • Ressecção endoscópica de lesões iniciais
  • Laringectomias parciais
  • Laringectomia total com esvaziamento seletivo bilateral
  • Laringectomia total de resgate pós-radioterapia e quimioterapia
  • Esvaziamento cervical radical modificado
  • Esvaziamento cervical radical
  • Reconstrução para fonação – implante de prótese fonatória
  • Correção de estenose de traqueostoma
  • Correção de fístula traqueocutânea

Trato as doenças das glândulas salivares. A maioria delas são cirúrgicas. A parótida é a maior das glândulas que produzem saliva e fica localizada na região pré-auricular, próxima ao ângulo da mandíbula. É a mais acometida por nódulos. 80% deles são benignos e o tipo mais comum é o adenoma pleomórfico. O tipo de câncer mais comum é o carcinoma mucoepidermóide. O único sintoma é o aparecimento de uma massa endurecida na região da glândula – como na imagem ao lado. A cirurgia para retirada da parótida, a parotidectomia, é uma cirurgia difícil pois o nervo facial, responsável pelos movimentos da face, atravessa a glândula e deve ser preservado para evitar a paralisia facial. Outra glândula salivar importante é a submandibular. Nela, a chance dos nódulos serem malignos aumenta para 50%. O tipo de câncer mais comum é o carcinoma adenóide cístico.

 

Cirurgias:

  • Parotidectomia parcial
  • Parotidectomia total
  • Parotidectomia total com esvaziamento cervical
  • Submandibulectomia
  • Submandibulectomia com esvaziamento cervical
  • Esvaziamento cervical radical modificado
  • Esvaziamento cervical radical
  • Ressecção de tumores do espaço parafaríngeo

O cirurgião de cabeça e pescoço é o especialista que investiga as linfonodomegalias cervicais. Várias doenças podem acometer os linfonodos do pescoço e causar o aumento. É bastante assustador em um primeiro momento leva muitos pacientes a procurarem uma emergência.Em pacientes jovens, a causa mais comum são infecções virais ou bacterianas, como faringites. Por vezes, infecções dentárias ou acnes também podem causar linfonodomegalias reacionais. Após tratado a infecção os linfonodos regridem. A preocupação aumenta quando isso não acontece ou quando o exame de ultrassom mostra características suspeitas – um diagnóstico a ser descartado é o linfoma – câncer dos linfonodos, que pode acometer pessoas jovens. Em pacientes com mais idade, principalmente fumantes, a suspeita inicial é de metástase linfonodal, por isso devem ser intensamente investigados.

 

Cirurgias:

  • Biópsia incisional
  • Biópsia excisional – retirada de todo o gânglio

As paratireóides são pequenas glândulas localizadas próximo a glândula tireóide. São responsáveis pelo equilíbrio dos níveis de cálcio no sangue. A principal doença das paratireóides é o hiperparatireoidismo, aumento dos níveis de paratormônio (PTH), hormónio da glândula que faz o cálcio subir – causando hipercalcemia. Esse excesso de cálcio é extremamente prejudicial, pois causa pedra nos rins, osteoporose, fraqueza muscular, calcificação de artérias. A causa mais comum de hiperparatireoidismo é o adenoma, aumento de uma única glândula (nós temos 4 ou 5). O único tratamento é cirurgia, e quem faz é o cirurgião de cabeça e pescoço. Outra causa é a insuficiência renal, que leva ao hiperparatireoidismo secundário.

 

Cirurgias

  • Paratireoidectomia unifocal – Adenoma
  • Paratireoidectomia unifocal com PTH rápido
  • Paratireoidectomia unifocal – exploração bilateral
  • Paratireoidectomia subtotal
  • Paratireoidectomia total com autoimplante

Algumas doenças congênitas acometem a região da cabeça e pescoço – relacionadas ao desenvolvimento embrionário. São mais comuns de aparecer na infância. mas podem ser manifestar apenas na idade adulta ou na velhice. A mais comum delas é o cisto tireoglosso, como na imagem. Também existe o cisto branquial e o cisto dermóide. O tratamento de todas elas é a cirurgia, devido ao risco de infecção ou malignização.

 

Cirurgias:

  • Retirada de cisto tireoglosso
  • Retirada de cisto dermóide
  • Retirada de cisto branquial
  • Retirada de tumor de glômus carotídeo
  • Retirada de schwanoma

 

Cirurgias crânio-faciais / Base do crânio

  • Exenteração de órbita alargada para teto
  • Etmoidectomia
  • Craniectomias fronto-temporais
  • Temporalectomia lateral
  • Temporalectomia subtotal
  • Abordagem de tumores da fossa infratemporal / fossa média

Quando procurar um cirurgião de cabeça e pescoço!

 

De uma maneira simples de entender, o cirurgião de cabeça e pescoço deve ser consultado quando houver qualquer um desses sintomas por mais de 15 dias:

  • ferida na pele (suspeita de câncer de pele)
  • afta na boca (suspeita de câncer de boca)
  • rouquidão (suspeita de câncer de laringe)
  • dor ao engolir ou engasgos (suspeita de câncer de faringe)
  • nódulos no pescoço (suspeita de algumas doenças da tireóide ou metástases)

Isso é importante pois a melhor estratégia contra o câncer é o diagnóstico e o tratamento precoce!

Quando NÃO procurar um cirurgião de cabeça e pescoço!

 

 

Para evitar consultas desnecessárias, é importante saber que o cirurgião de cabeça e pescoço não trata todas as doenças dessa região. Veja se esse é o seu caso para evitar que você perca tempo indo no especialista errado!

 

  • Dor de cabeça – quem trata é o neurologista
  • Dor no pescoço – se a dor for na parte de trás, provavelmente é um caso para ser avaliado por um ortopedista especialista em coluna. Se houver nódulos cervicais, deve ser um caso para o cirurgião de cabeça e pescoço
  • Doenças do ouvido, nariz e garganta – na maioria das vezes quem trata é o otorrinolaringologista. Quando houver suspeita de câncer nesses órgãos haverá necessidade de avaliação pelo cirurgião de cabeça e pescoço
  • Feridas na boca – lesões que persistem por menos de 15 dias, quando recorrentes, devem ser avaliadas pelo estomatologista – especialidade da odontologia que trata as lesões benignas da boca
  • Fraturas de maxila, mandíbula ou outros ossos da face – quem trata é o cirurgião buco-maxilo-facial, especialidade da odontologia
  • Tumores cerebrais – quem trata é o neurocirurgião. Alguns casos raros de meningioma da base do crânio ou tumores do osso temporal podem necessitar de abordagem conjunta do neurocirurgião e do cirurgião de cabeça e pescoço
  • Doenças funcionais da tireóide – hipotireoidismo ou hipertireoidismo, se não houver nenhum nódulo na tireóide, o acompanhamento deve ser feito inicialmente com um endocrinologista